O 7º Chama Violeta, festival de artes integradas coordenado pela artista pernambucana Odília Nunes, acontece entre 19 e 21 de dezembro no Sítio Minadouro, área rural da Ingazeira, no Sertão do Pajeú. Serão três dias de circo, teatro, música, poesia, cinema, literatura, oficinas, formação e muita convivência cultural na comunidade. A edição deste ano reúne 15 atrações de Pernambuco, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, São Paulo e da Argentina, com a participação de 60 artistas e técnicos. O tema escolhido é “Entendi que amor é escolha”.
A programação começa na sexta (19), às 8h, com apresentações em escolas municipais dos espetáculos Vereda dos Mamulengos, da Casa Moringa (DF), e o solo Decripolou Totepou, de Odília Nunes, que completa 20 anos em 2025. Para a artista, revisitar o trabalho onde tudo começou celebra também a relação construída com as crianças do Minadouro ao longo de duas décadas.
Odília Nunes é gestora cultural, atriz, palhaça, bonequeira, diretora teatral e dramaturga, natural do Sertão do Pajeú. Desde 2015, conduz o projeto No Meu Terreiro Tem Arte, levando ações artísticas a comunidades rurais e periféricas. Atualmente integra a Cia do Tijolo, de São Paulo. “Este foi meu primeiro solo. Nesses vinte anos, várias crianças do Minadouro assistiram, mas a nova geração ainda não conheceu. Nada melhor do que comemorar esse aniversário onde tudo começou”, conta.
Sem apoio do poder público nesta edição, o festival acontece graças à parceria dos artistas, que abriram mão do cachê para compartilhar sua arte e fortalecer o vínculo com a comunidade, já acostumada a receber diversas linguagens artísticas anualmente. A curadoria deste ano destaca grupos familiares, uma homenagem aos 50 anos de casamento dos pais de Odília e ao casal Cícero Gomes e Dona Maria, do Samba de Coco de Trupé de Arcoverde, presentes desde a primeira edição.
Entre os grupos familiares convidados estão “Piruá e Paraqueta”, com Rodrigo Bruggemann e Amora Maux (RN); Anelise Mayumi e Douglas Iesus (BA), com o espetáculo de dança Embalanceio; e a Cia das Marionetes (Argentina), com Antologia das Marionetes. O Chama Violeta integra o projeto No Meu Terreiro Tem Arte, criado por Odília em 2015 para promover intercâmbio cultural, residências artísticas e ações formativas no Minadouro. A iniciativa já recebeu o Prêmio Pernalonga de Teatro (2019) e o Prêmio Inspirar do Instituto Neoenergia (2021).
As atividades seguem na tarde da sexta-feira em espaços ao ar livre como Terreiro de Mariquinha, Terreiro de Seu Expedito e Dona Lourdinha, Terreiro de Edileuza e o Alpendre da casa de Odília. A Associação de Agricultores do Minadouro recebe oficinas de poesia, com Isabelly Moreira (PE), e confecção de calungas de pano, com Catarina Calungueira (RN). As apresentações acontecem às 17h e 19h. Os shows de encerramento da sexta e sábado ficam por conta de Luana Flores (PB), com Nordeste Futurista, e do Samba de Coco de Trupé de Arcoverde.
No domingo, às 14h, será realizada a roda de conversa Vô, deixa minha mãe brincar, com a jornalista e documentarista Gabriela Romeu (SP), que desenvolve projetos sobre infâncias há mais de 20 anos. Em seguida, o Cineclube Minadouro exibe a estreia do filme Um dia Havia de Ver o Mar, de Odília Nunes, inspirado na história real de um menino da comunidade cujo sonho coletivo era conhecer o mar.
