O prefeito do Recife, Victor Marques, anunciou, nesta quinta-feira, 21, os homenageados dos festejos juninos 2026. Pela primeira vez, o São João do Recife celebra os profissionais que fazem a festa embaixo dos palcos — costureiros, aderecistas e sapateiros que sustentam as tradições com as próprias mãos.
“Estamos anunciando os homenageados do São João 2026, com representações muito simbólicas para o Recife. Vamos reverenciar Caju e Castanha, referências da embolada e do repente nordestino, além de três importantes fazedores de cultura: a costureira Mãe Nena, o aderecista e figurinista Ricardo Luiz de Souza e o sapateiro Lucivan Batista. A nossa cultura é muito rica e queremos mostrar as diferentes expressões e pessoas que ajudam a mantê-la viva”, afirmou o prefeito.
“Celebrar personagens que atuam nos bastidores do São João é reconhecer a importância das muitas trabalhadoras e trabalhadores que fazem a cultura acontecer todos os dias. São pessoas que ajudam a construir a beleza e a identidade da nossa festa popular”, destacou a secretária de Cultura do Recife, Milu Megale.
“Sem esses profissionais, nenhuma festa tem brilho, cor ou memória. Eles fazem parte da força coletiva que mantém as tradições populares sempre em movimento”, afirmou Marcelo Canuto, presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife.
Os homenageados
Maria Lúcia Nascimento (Mãe Nena)
Filha e mãe do Morro da Conceição, Mãe Nena é costureira envolvida com o movimento quadrilheiro há décadas. Desde 1996, quando sua filha foi noiva da quadrilha Origem Nordestina — declarada Patrimônio Vivo do Recife —, dedica-se a vestir grupos adultos e infantis, como a Sapeca e a Junina Tradição. Também costura para a escola de samba Galeria do Ritmo e já preparou três gerações de quadrilheiros, de filhas a bisnetos.
“Faço parte da Junina Tradição há 22 anos. Minhas filhas, minha bisneta, todo mundo dança lá, e eu sigo trabalhando nos bastidores, fazendo as roupas das apresentações. É muito trabalho, mas eu continuo porque amo a quadrilha e amo a cultura popular.”
Ricardo Luiz de Souza
Pedagogo que se autodeclara artista popular, Ricardo estreou nos palhoções juninos em 1998 como brincante da Quadrilha Junina Amaragi, em Paulista. Há mais de 30 anos, assina figurinos elaborados, cheios de brilho, textura, história e movimento para quadrilhas como Aquarela Nordestina, Sagrama e Gibão de Couro, Junina Tradição, Traque de Massa, Pisa no Espinho e Lumiar, além de grupos mirins. Atualmente dedica seus talentos à quadrilha Dona Matuta.
Lucivan Batista dos Santos
Filho natural de Nazaré da Mata, Lucivan mora no Recife desde a década de 1980 e confecciona sapatos de couro para praticamente todas as quadrilhas juninas da capital e da Região Metropolitana. Do desenho à estrutura, do corte à costura, ele cuida de cada detalhe — dos noivos da quadrilha aos reis momos —, sendo literalmente o chão que sustenta os espetáculos mais bonitos do São João recifense.
Caju e Castanha
A famosa dupla de emboladores soma mais de 50 anos de carreira confirmando as tradições orais e musicais nordestinas. Criada pelos irmãos José Albertino da Silva (Caju) e José Roberto da Silva (Castanha), que começaram ainda meninos, batendo lata de marmelada em feiras e praças, a dupla ganhou projeção nacional com a embolada “Ladrão Besta e Ladrão Sabido”. Em 2001, José Albertino faleceu e seu sobrinho Ricardo Alves assumiu o posto de Caju. A dupla segue ativa, com mais de 20 discos e centenas de palcos pelo mundo.
“Estou muito emocionado, porque foi aqui no Recife que comecei minha história, cantando no Mercado de São José. E justamente no momento em que a dupla Caju e Castanha completa 50 anos de carreira, receber esse reconhecimento é muito gratificante”, afirmou José Roberto da Silva, o Castanha.
