Penetrografia auxilia diagnóstico da saúde estrutural das árvores; cidade realizou cerca de 270 mil serviços de poda desde 2021
Por fora, uma árvore pode parecer saudável. Por dentro, porém, cavidades, perda de densidade da madeira ou processos de deterioração podem comprometer sua estrutura sem sinais tão evidentes. Neste Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro, a Prefeitura do Recife mostra como tecnologia, acompanhamento técnico e manutenção preventiva são utilizados para cuidar da arborização urbana e definir quando um exemplar realmente precisa de uma intervenção. Por meio da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), as árvores passam por avaliações progressivas de risco. O primeiro nível é uma inspeção visual para identificar problemas evidentes. Quando necessário, é realizada uma análise mais detalhada de todo o exemplar, incluindo raízes aparentes, colo, tronco e copa. Nos casos que exigem uma investigação mais aprofundada, os técnicos podem recorrer a equipamentos especializados.
Entre essas tecnologias está a penetrografia. O equipamento realiza uma perfuração de pequeno diâmetro e mede a resistência encontrada no interior da madeira. O resultado ajuda os profissionais a identificar perda de densidade, cavidades, biodeterioração e regiões estruturalmente comprometidas que nem sempre podem ser percebidas apenas olhando para a árvore. O diagnóstico é associado à inspeção visual, ao histórico do exemplar, à espécie e às condições existentes ao redor antes da definição do manejo mais adequado. “Nosso trabalho é sempre avaliar tecnicamente cada exemplar antes de qualquer decisão. A tecnologia nos permite identificar problemas que muitas vezes não aparecem a olho nu e escolher o manejo mais adequado, buscando preservar a árvore sempre que houver condições para isso”, explica João Victor França, engenheiro florestal e gerente de Arborização da Emlurb.
A avaliação instrumental pode ser complementada por outras técnicas de diagnóstico quando necessário. O objetivo é reunir o máximo de informações antes de uma decisão de manejo, permitindo preservar exemplares que apresentam condições de permanecer no espaço urbano e identificar aqueles que efetivamente oferecem risco.
O trabalho de prevenção acontece diariamente em uma cidade onde árvores convivem com prédios, calçadas, vias, redes elétricas e outros equipamentos urbanos. Entre 2021 e 2025, foram contabilizados 235.294 serviços de poda. Considerando a projeção de 34.555 serviços entre janeiro e setembro de 2026, o volume chega a aproximadamente 269,8 mil intervenções no período. A poda técnica permite retirar galhos secos ou danificados, adequar copas, melhorar a circulação e a visibilidade e reduzir conflitos com a infraestrutura urbana.
ANTES DA PODA, É PRECISO AVALIAR – As vistorias seguem critérios técnicos de avaliação de risco. A presença de cavidades, inclinações, raízes comprometidas, galhos secos, fissuras, sinais de deterioração e alterações no entorno pode indicar a necessidade de uma análise mais detalhada. Nem todo problema identificado significa que a árvore precisará ser removida. Dependendo do diagnóstico, o manejo pode envolver poda ou outras medidas de conservação. A população também participa desse trabalho. Solicitações para avaliação de árvores em áreas públicas podem ser feitas pela Central 156 ou pelo Conecta Recife. A partir do chamado, equipes técnicas avaliam a situação e definem o procedimento adequado para cada exemplar.
A ÁRVORE NO RECIFE – O Dia da Árvore também guarda uma curiosidade sobre a identidade da cidade. Embora Pernambuco seja lembrado como a terra dos altos coqueiros, o cajueiro é a árvore oficial do Recife, instituída pela Lei Municipal nº 14.571/1983. A espécie é nativa e fortemente associada à paisagem nordestina. Recife também reúne exemplares históricos e árvores protegidas, além de uma presença marcante de baobás. Essa relação com a arborização aparece até no mapa da cidade, em bairros como Cajueiro, Coqueiral, Córrego do Jenipapo, Guabiraba, Jaqueira, Mangueira, Mangabeira, Pau-Ferro e Tamarineira.
O município conta ainda com uma Comissão de Árvores Tombáveis, responsável por analisar exemplares de relevância histórica, ambiental, paisagística ou afetiva para a cidade. O tombamento é uma ferramenta de proteção que pode tornar determinadas árvores imunes ao corte, preservando exemplares que tenham importância especial para uma rua, um bairro ou para o patrimônio ambiental do Recife. O processo passa por avaliação técnica, que considera as características do exemplar e sua relevância para o local onde está inserido. A medida funciona como uma forma de garantir que árvores consideradas especiais para a memória, a paisagem e a identidade da cidade permaneçam protegidas ao longo do tempo.
Em 2025, a Emlurb realizou o plantio de 1.963 mudas e 1.562 supressões, o que representa um saldo positivo de aproximadamente 25% entre exemplares plantados e retirados. O dado considera apenas as ações da Autarquia e reforça a política de preservação, manejo técnico e renovação da arborização urbana. “Existem árvores que ultrapassam sua função ambiental e passam a fazer parte da história e da relação afetiva das pessoas com determinados lugares. O tombamento é uma forma de reconhecer esse valor e garantir uma proteção diferenciada para que esses exemplares continuem fazendo parte da paisagem e da memória do Recife”, destaca João Victor França.
