Evento reforça cooperação internacional e atrai investimentos sustentáveis para a região
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentou, durante o III Fórum Bahia-China, o potencial do Nordeste como um dos principais destinos para investimentos internacionais voltados à industrialização verde e à transição energética. O encontro, realizado em Salvador, reuniu autoridades, especialistas e representantes chineses para discutir estratégias de desenvolvimento econômico sustentável.
Um dos destaques foi o powershoring, modelo que estimula a instalação de indústrias intensivas em energia em regiões com oferta abundante e competitiva de fontes renováveis. Segundo a Sudene, o Nordeste possui a maior vantagem comparativa do país, graças à expansão das energias eólica, solar e de biomassa — cenário ideal para transformar a região em uma plataforma industrial verde, reduzindo emissões, aumentando a competitividade e promovendo desenvolvimento regional.
O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, reforçou que o objetivo é impulsionar a produção local de bens industriais essenciais à transição energética. “Estamos diante de uma oportunidade histórica para fortalecer a indústria limpa no Nordeste, ampliando oportunidades econômicas e reduzindo desigualdades”, destacou.
Durante o painel “Estratégias de Desenvolvimento no Brasil e na China: Crescimento Econômico, Combate à Pobreza e Industrialização Sustentável”, o superintendente detalhou instrumentos de planejamento e fomento disponibilizados pela Autarquia, como incentivos fiscais e linhas de crédito específicas para impulsionar novos empreendimentos na região.
Instrumentos de fomento e oportunidades
Francisco Alexandre ressaltou que o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE) orienta políticas públicas em sete eixos integrados, com a inovação como elemento central. No campo financeiro, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) disponibiliza mais de 20 linhas de crédito, com orçamento de R$ 52,1 bilhões para 2026.
Outra ferramenta, o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), viabiliza grandes projetos capazes de gerar empregos, inovação e redução de desigualdades. A Sudene também reforçou a importância de parcerias, como a Chamada Nordeste, que reúne o BNDES, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Finep e o Consórcio Nordeste, garantindo R$ 10 bilhões em crédito para iniciativas associadas à Nova Indústria Brasil.
Relações comerciais Bahia–China
O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, destacou a parceria estratégica com a Bahia, ressaltando investimentos em energia renovável, fabricação de pás e turbinas eólicas, automóveis e a construção da ponte Salvador–Itaparica. “Estamos preparados para ampliar projetos de alta tecnologia e geração de empregos”, afirmou.
Entre janeiro e outubro de 2025, a Bahia exportou R$ 5,4 bilhões para a China — 39,1% de tudo o que o estado vende ao exterior — consolidando-se como o maior exportador nordestino para o país asiático. No mesmo período, as importações somaram R$ 4,3 bilhões.
A cônsul-geral da China no Rio de Janeiro, Tian Min, afirmou que o próximo quinquênio chinês priorizará modernização industrial, autossuficiência tecnológica, transição verde e abertura econômica. Ela destacou ainda a ampliação de intercâmbios culturais, bolsas de estudo e cooperação no combate à pobreza, lembrando que 2026 será o Ano da Cultura e do Turismo Brasil–China.
Segundo estimativas apresentadas no evento, o Brasil deverá atrair até R$ 27 bilhões em investimentos chineses até 2025, especialmente nos setores de energia verde e transição energética.
